Uma luz, ao fundo do beco. E cor. A cor da esperança que teima em não morrer de vez, um sorriso de um alguém que sofre, mas não desiste. Nova rua, outra vez uma luz sobre o escuro, a algazarra dos meninos que nunca o foram. Ali, um homem de muitas vidas. Na soleira, mulheres de vidas divididas. Dívidas e dádivas, em cada casa que já não o é. Uma criança triste e o seu reflexo. E gente, pedaços de um povo em busca de uma vida que seja simples, mas seja vida. E nunca desistir.

O Bairro de Santa Filomena tinha os dias contados. O buldozer imobiliário é mais poderoso do que a memória e a identidade e o passado de cada casa velha, lar clandestino de quem já só quer um tecto. Agora, resta a poeira e os destroços e o desencanto. Ainda assim, a luz está lá. Ao fundo do beco, ao fundo da vida.